Mesa Redonda – Minorias e Grupos Vulneráveis

O Nugsex Diadorim esteve, através da professora Eide Paiva, presente no dia 23 de maio na Mesa-redonda “Minorias e Grupos Vulneráveis”, atividade final da disciplina Fundamentos de Antropologia e Sociologia Jurídica, oferecida à estudantes de primeiro semestre do curso de Direito da FTC, sob a responsabilidade do professor Eduardo, homem feminista, mestre em Gênero, Mulheres e Feminismo pelo NEIM/UFBA.

O propósito da mesa foi despertar os/as estudantes para a necessidade de um olhar diferenciado para as minorias e grupos vulneráveis na busca e consecução de seus direitos. Alda Motta, professora do Neim/Ufba, pesquisadora da temática de gênero e envelhecimento, Verônica Almeida, paratleta, medalha de bronze na natação nos jogos Paraolímpicos de Pequim foram convidadas para compor a mesa, mas não puderam comparecer. O tempo da mesa foi dividido entre a professora Eide e Olinda Muniz, índia pataxó, estudante de jornalismo, defensora das causas indígenas.

Se situando no campo dos estudos feministas, orientada, sobretudo, pelo pensamento das negras e das lésbicas, a professora Eide iniciou sua fala reconhecendo a importância da iniciativa do professor Eduardo em convidar para suas aulas representantes de minorias e grupos vulneráveis para falar de si, das suas experiências na luta pela garantia de direitos.

Reconhecendo que as minorias e grupos vulneráveis não são homogenias, que é preciso conhecer e respeitar as suas diferenças, centrou sua fala na bandeira da criminalização da homofobia. Apresentou dois pontos de vista necessários ao enfrentamento e superação da LGBTfobia, do racismo e de outras formas de violência: a educação para a diversidade e a laicidade do Estado. Falou da “heterossexualidade cultural” como sistema de controle da sexualidade e dos corpos e concluiu seus 20 minutos de fala convidando o professor Eduardo e a turma para somar esforços com os movimentos LGBT e com o NuGSex Diadorim/UNEB na defesa e promoção dos Direitos Humanos da população LGBT. Falou dos projetos do Diadorim “Uneb combatendo a homofobia” e “Campanha de 16 dias de ativismo na Uneb”, que esse ano vai trabalhar com a temática da laicidade do Estado.

A representante indígena iniciou sua fala questionando quem são os índios de hoje. Reconheceu a pluralidade das tribos e negou toda e qualquer noção homogeneizadora das mesmas. Fez crítica à mídia hegemônica que cria e reitera estereótipos do seu povo. Disse que vai se formar em jornalismo para fazer da comunicação um instrumento de defesa e empoderamento indígena.  Ressaltou a luta pela garantia e proteção das terras indígenas, falou da discriminação e violência vivenciada pelas tribos e concluiu sua fala dizendo que “novos colonizadores”, que somos todos nós que não reconhecemos os direitos humanos desse segmento. Emocionou a platéia com seu depoimento sobre a “invasão evangélica” que está acontecendo em diferentes tribos. O discurso evangélico, disse Olinda, faz o povo crer que “Urucum é bosta do diabo”.

O debate rendeu. Muito do que foi deixado de ser dito na mesa,  foi recuperado no debate. Muitas perguntas foram dirigidas à professora Eide:  “Você acha que o caso Itamar foi mesmo homofobia?”, “O que você acha do casamento homo afetivo e da adoção?”, “E o fundamentalismo do movimento LGBT? Seu discurso radical não é um tipo de  fundamentalismo?”, “E a relação do governo com o movimento LGBT?”, e assim por diante.

A sala estava lotada. O professor reuniu duas turmas, em torno de 120 pessoas (60 de cada turma). O debate se estendeu até as 23 horas, e seu resultado mostrou-se muito gratificante e motivador.

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Sobre secdiadorim

Núcleo de Estudos de Gênero e Sexualidade da UNEB
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